Em um mundo em constante transformação, a cantora e multi-instrumentista Bia Villa-Chan tem usado a sua carreira para valorizar e reinventar musicalidades regionais, aliando ritmos tradicionais a novas roupagens e criatividades instrumentais.

No show “Mulher Fênix – Um Passeio de Guitarra com Olhar Femino”, apresentado no projeto Guitarra à Brasileira, do Sesc SP, a voz e a guitarra dividem o protagonismo no palco. Bia Villa-Chan explora a disrupção e a versatilidade do instrumento para resgatar as riquezas da música brasileira – sem deixar de dialogar com o global.

Bia percorre por um repertório que relembra diversas utilizações do instrumento com contextos regionais, como frevo elétrico, manguebeat, guitarradas paraenses, trazendo ainda algumas cumbias e até clássicos americanos setentistas que a acompanham desde a infância, como os da banda Dire Straits.

Com a guitarra no frevo, Bia homenageia os intercâmbios de Armandinho Macêdo e Moraes Moreira nos trios elétricos do Carnaval de Salvador. No mangue, a guitarra é combinada com o maracatu, a ciranda, o coco e o caboclinho, ritmos da cultura popular pernambucana que artistas como Chico Science exaltaram. Já dos paraenses, a guitarrada bebe de tradições como o carimbó, merengue e mambo.

No show, a artista ressalta como a guitarra é um instrumento versátil e que, quando tocava por uma mulher, pode ter um encantamento redobrado. “A guitarra ainda é um instrumento muito ligado a um imaginário de masculinidade, então essas interpretações carregam esse empoderamento”, diz.

Bia Villa-Chan também tem feito do próprio caminho um gesto de incentivo à atuação artística feminina no virtuosismo e na seara da música de tradição regional, elementos com poder de criar identidade cultural e ainda associados, majoritariamente, a protagonistas masculinos.

Não raro, a cantora sobe ao palco vestida com roupas onde está inscrita a mensagem “Toque como uma mulher”, expressão combativa ao machismo e estímulo à inserção musical das mulheres.

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Em sua trajetória, Bia Villa-Chan já colaborou com nomes como Alceu Valença, Armandinho Macêdo (precursor da guitarra baiana), Luiz Caldas, Maciel Melo e vem ganhando cada vez mais destaque nas redes sociais, onde acumula mais de 195 mil seguidores.

Também participou de grandes eventos de festividade popular, como Galo da Madrugada, no Recife e em São Paulo, e do Circuito Barra-Ondina, no Carnaval de Salvador. Foi condecorada com prêmios como Troféu Gonzagão, que é um patrimônio cultural imaterial do estado da Paraíba, sendo realizado pelo Instituto Intercultural Brasil (Inbra).

O sucesso vivenciado, hoje, ecoa uma relação com a música iniciada aos 6 anos de idade, quando Bia Villa-Chan aprendeu com o avô Heitor Villa-Chan, um dos criadores do bloco Pirilampos de Tejipió (citado na clássica canção Valores do passado, de Edgar Morais).  Autodidata, ela passou a dominar com naturalidade instrumentos como a guitarra, o contrabaixo, a bateria, o clarinete, o sax e o piano.