Evento reúne expoentes da música pernambucana em apresentações ao vivo e exclusivas pela internet nos dias 20 e 21 de fevereiro

A atmosfera inebriante do improviso musical característico do jazz será transposta das ruas para o palco virtual na primeira edição do Panela do Jazz realizada exclusivamente online. Após reunir mais de 10 mil pessoas no Poço da Panela, o festival pernambucano, um dos principais espaços de projeção do gênero no estado, desembarca na internet, durante os dias 20 e 21 de fevereiro, para agraciar os fãs afastados do convívio social por conta do distanciamento obrigatório da pandemia – razão do cancelamento da terceira edição prevista para ocorrer no Recife no ano passado.

O evento de 2021 – acessível para o mundo inteiro – reúne expoentes da música pernambucana cuja trajetória é pontuada por apresentações elogiadas Brasil afora. O primeiro dia da programação conta com shows de Dois de Paus (com participação de Nena Queiroga), Augusto Silva & Frevo Novo e Amaro Freitas Trio. O segundo tem Agláia Costa, Sertão Jazz (com Amanda Cabral e Karol Maciel) e Spok Quinteto (com Maíra e Moema). Os artistas subirão ao palco montado no Fábrica Estúdio – com obediência aos critérios sanitários definidos pelas autoridades – e terão as performances transmitidas ao vivo pela plataforma do Panela no YouTube e nas redes sociais. 

Todas as atrações selecionadas para o evento dialogam com o vigor artístico da obra do maestro, arranjador, compositor e multi-instrumentista pernambucano Moacir Santos, homenageado da edição virtual e – caso a pandemia arrefeça com a vacinação – física, prevista para ocorrer no bairro do Poço da Panela, em novembro, durante a Semana da Consciência Negra. O tema deste ano – “A musicalidade afro-brasileira no experimentalismo do jazz” – é inspirado na vida e na vasta produção do artista nascido em Serra Talhada, Sertão do Estado, radicado nos Estados Unidos e consagrado em palcos internacionais através de obras icônicas e parcerias celebradas com nomes da dimensão de Vinicius de Moraes e Kenny Burrell.

A curadoria do Panela do Jazz em 2021 fica a cargo do contrabaixista, arranjador, compositor e produtor musical Bráulio Araújo, uma das metades do Dois de Paus, escalado para o festival. Coube a ele a missão de montar uma grade artística alinhada à essência múltipla da obra de Moacir Santos e exclusivamente preenchida com atrações locais em resposta ao estímulo ao festival proporcionado pela Lei Aldir Blanc – fomento emergencial aprovado pelo Congresso para ajudar a cena musical prejudicada pela suspensão dos shows em virtude da pandemia da Covid-19.

“Montamos uma grade para mesclar tanto artistas com nomes consolidados na cena como novos talentos surgidos em Pernambuco, atrações bem-sucedidas na habilidade de fazer jazz e revisitar a tradição da nossa música. Tudo sob a influência do maestro Moacir Santos, a quem vão render tributos musicais. Todos nós já bebemos da fonte infindável da música dele, essa influência riquíssima da música afro-brasileira instrumental”, observa Braulio Araújo.

Oficinas

O frescor criativo e diverso da carreira de Moacir Santos também norteia a tradição do Panela de explorar ações educativas, culturais e comunitárias revestidas de relevância social e histórica através da oferta de oficinas musicais gratuitas nos dias anteriores aos shows. Quatro aulas de uma hora cada estão programadas para os dias 18 e 19 de fevereiro e serão ministradas online pelo maestro Spok e pelo pianista Amaro Freitas, no primeiro dia, e pela percussionista Lara Klaus e pelo guitarrista Luciano Magno, no segundo dia (serão às 18h e às 20h). 

O festival

Criado em 2018, o Panela do Jazz se firmou no calendário cultural de Pernambuco através da capacidade de harmonizar atrações musicais, cênicas e circenses nacionalmente relevantes com ações educativas, artísticas, gastronômicas, econômicas e ambientais guiadas pela inclusão, pela valorização do patrimônio histórico, pelo respeito à diversidade, pelo estímulo à cidadania e ao desenvolvimento comunitário. 

A edição de fevereiro se concentra no empenho solidário para mover a engrenagem da cultura pernambucana e garantir ocupação e visibilidade ao trabalho desenvolvido pelos artistas do Estado afetados pela paralisação forçada da crise sanitária. É, sobretudo, uma oportunidade de acalentar musicalmente o público afastado dos programas culturais com aglomeração.  

“É muito significativo realizar essa edição, tanto para produtores quanto artistas e o público. Voltar o contato com a cena instrumental pernambucana bastante afetada pela pandemia. A música instrumental não é tão popularizada assim e, por isso, os músicos sofreram muito com essa paralisação e o afastamento dos palcos, daí a importância dessa vitrine, para valorizar, respirar. E é uma oportunidade de entretenimento levar música de qualidade à casa das pessoas, levar a cultura pernambucana”, avalia o idealizador do Panela do Jazz, o produtor cultural Antonio Pinheiro.

>>> Sobre as atrações <<<

PRIMEIRO DIA

Dois de paus // Dueto oficializado em 2008 entre o compositor e contrabaixista Bráulio Araújo e o arranjador e produtor musical Renato Bandeira, parceiros de palco de longa data. Aposta na sonoridade obtida com encontro de cordas e nas experimentações com violão, baixo acústico e guitarra. No show do Panela, ganham a companhia da cantora Nena Queiroga. 

Augusto Silva & Frevo Novo // O repertório do grupo é formado por “músicas da nova geração de compositores pernambucanos de frevo” e clássicos do gênero musical. Mescla a sonoridade do jazz a ritmos regionais para criar um estilo próprio e autoral. Integrado por Augusto Silva (bateria), Waltinho d’Souza (tuba), Liêve Ferreira (guitarra), Gilberto Bala (percussão) e Leo Araújo (flauta).

Amaro Freitas Trio // Músico com trajetória elogiada no exterior, Amaro Freitas reinterpreta ritmos regionais, afro-brasileiros, à luz dos improvisos do jazz. O artista tem influência direta de ícones da música pernambucana, como Capiba e o próprio Moacir Santos, homenageado do Panela do Jazz, a quem faz alusão no palco com Coisa nº 4. A apresentação é definida como “fluxo musical” com conexão do folclore nordestino à vanguarda de músicos internacionais como Craig Taborn e Vijay Iyer. Acompanham o músico Jean Elton (baixo acústico) e Hugo Medeiros (bateria). 

SEGUNDO DIA

Agláia Costa // Rabequeira de expressão em Pernambuco, ela é também violinista da Orquestra Sinfônica do Recife há mais de três décadas. Tocou por anos nas aulas experimentais de Ariano Suassuna após se irmanar à música armorial. Compositora de trilha sonora para o teatro e o cinema.

SerTão Jazz // O quarteto é integrado por estudantes do Conservatório Pernambucano de Música e explora a interseção entre as músicas nordestinas e os improvisos do jazz. Na bagagem, tem composições autorais e releituras de obras famosas. Formado por Felipe Costa (acordeom), Yacauã Bastos (bateria), Heverto Alves (contrabaixo) e Waleson Queiros (guitarra). Do show, participam Amanda Cabral e Karol Maciel.

Spok Quinteto // Ícone da música instrumental de Pernambuco, Spok se apresenta com quinteto e Maíra e Moema no encerramento do Panela do Jazz. O set list do grupo transita entre clássicos e músicas recentes da cultura local revestidos de um caráter universal e despojados do aspecto folclórico. Acompanham o maestro Adelson Silva (bateria), Renato Bandeira (guitarra), Beto Hortis (sanfona) e Hélio Silva (baixo).

SERVIÇO

Panela do Jazz – edição especial em homenagem a Moacir Santos

Quando: de 18 a 21 de fevereiro

Shows do dia 20, a partir das 16h: Dois de Paus com Nena Queiroga, Augusto Silva & Frevo Novo, Amaro Freitas Trio

Shows do dia 21, a partir das 16h: Agláia Costa, Sertão Jazz com Amanda Cabral e Karol Maciel, Spok Quinteto com Maíra e Moema

Onde assistir: canal do Panela do Jazz no YouTube

OFICINAS

Dia 18: às 18h, masterclass de sax com Maestro Spok e, às 20h, masterclass de piano com Amaro Freitas 

Dia 19: às 18h, masterclass de percussão com Lara Klaus, e às 20h, masterclass de guitarra com Luciano Magno

Quanto: gratuitas

Inscrições: poderão ser feitas de 1/2 a 15/2 pelo site ou aplicativo do Sympla, com limite de 30 pessoas por aula

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