No livro-reportagem Mataram Marielle, os jornalistas Chico Otavio e Vera Araújo revelam os bastidores da investigação da morte da vereadora Marielle Franco e de Anderson Gomes. Especialistas na cobertura jornalística da cidade do Rio de Janeiro e dedicados à cobertura do caso com repercussão internacional e ainda não esclarecido, os autores mostram como este violento episódio foi determinante para escancarar a atuação do crime na capital fluminense. Ao desvelar uma intrincada rede de criminalidade, o livro mostra como muitos outros atos criminosos são derivados da execução de Marielle e Anderson. 
 
Repórteres experientes e testemunhas de longa data de várias investigações policiais na capital, Chico e Vera esmiuçaram a rede que movimenta o submundo carioca e seus múltiplos agentes. Traficantes, milicianos, torturadores egressos dos porões da ditadura, ex-policiais altamente treinados assumindo o papel de assassinos de aluguel, bicheiros e as disputas travadas entre eles estão por toda parte e povoam as páginas de Mataram Marielle.
 
Na noite de 14 de março de 2018, a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram mortos a tiros no Estácio, zona central da cidade do Rio de Janeiro. Liderança nascida e criada na favela, a quinta vereadora com mais votos no pleito em que foi eleita, Marielle era ao mesmo tempo assertiva e carismática em seus posicionamentos, fosse na defesa de moradores de áreas dominadas por milícias ou nas reivindicações ligadas às comunidades LGBTQIA+ e ao movimento Negro. Seu assassinato se tornou emblemático não somente por ser um claro ataque à democracia e às bandeiras defendidas pela parlamentar, mas também por ter marcado um novo patamar de atuação da criminalidade na cidade.
 
Mesmo sem dar uma resposta definitiva ao caso, as diversas linhas de investigação tomaram as manchetes dos jornais, foram amplamente discutidas nas redes sociais e colocaram holofotes sobre a estrutura do crime organizado carioca, suas áreas de atuação e práticas. Em meio aos debates sobre a federalização das investigações, o legado político de Marielle e a pressão da opinião pública por respostas, tornou-se cada vez mais clara a onipresença das organizações criminosas na cidade, suas redes internas e elos externos.
  
CHICO OTAVIO é repórter e professor de Jornalismo na PUC-Rio. Iniciou a carreira em 1985, na Última Hora, passou pela sucursal do Rio de Janeiro do Grupo Estado, produzindo reportagens para O Estado de S. PauloJornal da Tarde e Agência Estado. Em 1997, transferiu-se para o jornal O Globo, onde cobre Política. Ganhou sete vezes o Prêmio Esso.

VERA ARAÚJO é repórter investigativa em O Globo, além de advogada, tendo passado por Jornal do Brasil e O Dia. Em 2005, revelou a existência de grupos paramilitares na região de Jacarepaguá (RJ) que extorquiam dinheiro de moradores. Foi dela a ideia de batizá-los como milícias. Pela reportagem, ganhou o Prêmio Especial Tim Lopes de Jornalismo Investigativo (2009). Entre outros prêmios, recebeu o Imprensa Embratel (2003), o Esso Sudeste (2009), o Tim Lopes (2010) e o Troféu Mulher Imprensa (2012).

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